segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Quando então o dízimo reapareceu dentro da Igreja?



O cristianismo protestante, ou evangélico, é um cristianismo pagão por natureza, ele conservou em si toda a escala de valores herdada de sua origem (catolicismo, ou cristianismo romano). Mas o que é o cristianismo romano? Bem, antes temos que ver um tipo em especial de culto que esteve presente dentro de Roma bem na época do crescimento do cristianismo: o mitraísmo persa. O mitraísmo foi uma religião de mistérios nascida no Mediterrâneo e a mais influente no império romano no século II. Mitra é o deus sol persa, ele recebeu particular aderência dos soldados romanos, e entre os devotos mais famosos, está aquele que mudou o rumo da história da Igreja (para a pior); Constantino, devoto do mitraísmo retratado com o título de Deus sol invictus. Através de Constantino, temos a infiltração dos valores pagãos no seio da Igreja primitiva, seduzindo-a pouco á pouco. Valores como o uso de templos e da figura do sacerdote, foram re-inseridos nas idéias defendidas pela igreja por causa do imperador romano, que cessou a perseguição á igreja, concedendo direitos e privilégios aos líderes (caídos) e aos cristãos, mas em contrapartida exigiu certos “deveres” dos cristãos agora legitimamente considerados cidadãos romanos. Vale lembrar o forte efeito psicológico nos ideais da Igreja trazido pelo fim da perseguição organizada por Constantino: a acomodação, os elogios, o sentimento de “ser aceito”, de inserção, a sedução pelos sentidos: os agrados materiais que a aproximação com o que é oficial proporciona, o ambiente amistoso que gera conforto, acomodação e por fim rendição; o que também faz agir o sentimento de lisonja e a devoção entusiasta, surgidos nas classes e castas emergentes; aquelas que ganharam direitos recentemente após anos de repressões e restrições de liberdade. Essa é a psicologia das classes emergentes. Com isso o grupo social dos seguidores de Jesus (Igreja) decaiu e foi completamente dominado, pois aceitou ser dominado, foi seduzida ao abismo.

Porém a mais nefasta contaminação promovida por Constantino foi ter ressuscitado a figura do sacerdote humano, mediador entre a raça humana e a divindade; ele mesmo se auto-declarou o “pontífice máximo” do cristianismo. Na verdade, fortaleceu o que já havia no interior dos cristãos primitivos; a valorização extremada dos líderes, que aos poucos, iam agregando em si o mesmo significado do antigo sacerdócio levítico, do antigo testamento. Vale lembrar que nova aliança realizada por Jesus aboliu de uma vez por todas o sacerdócio humano representativo, transformando cada indivíduo que o aceita, em sacerdote de si mesmo.

Pois bem, ressuscitado a categoria de “autoridade espiritual”, ou o sacerdote, agora dá-se início á mais uma campanha de exploração das massas para a manutenção dos privilégios de uma pequena elite: o dízimo foi re-inserido dentro do cristianismo exatamente com este propósito: sustentar financeiramente o clero. Cipriano (200-258 d.C.) foi o primeiro escritor cristão a mencionar a prática de sustentar financeiramente o clero. Ele arrazoava que da mesma forma como os levitas foram sustentados pelo dízimo, assim também o clero cristão deveria ser sustentado pelo dízimo. Mas isso representa um pensamento totalmente equivocado. Hoje, o sistema levítico está eliminado. Somos todos sacerdotes, pois houve mudança de aliança. Então se um sacerdote demanda dízimo, todos os cristãos devem dizimar-se mutuamente! O pedido de Cipriano foi bem incomum naquele tempo. Tanto que não foi apoiado nem divulgado pelo povo cristão naquele momento, mas muito tempo depois. Além de Cipriano, nenhum escritor cristão antes de Constantino jamais utilizou referências do velho testamento para recomendar a prática do dízimo. Foi apenas no século IV, 300 anos depois de Cristo, que alguns líderes cristãos começaram a defender o dízimo como prática cristã para sustentar o clero. Mas isto não chegou a ser comum entre os cristãos até o século VIII! Segundo um erudito, “pelos primeiros setecentos anos esse nome (dízimos) quase nem foi mencionado”. Relatar a história do dízimo cristão é um exercício fascinante. O dízimo migrou do Estado para a Igreja. Na Europa Ocidental, exigir o dízimo da produção de alguém era cobrar o aluguel da terra que lhe era dada em arrendamento. Na medida em que a cobrança do aluguel de 10% era entregue à Igreja, esta aumentava sua quantidade de terras ao longo da Europa. Isto resultou em um novo significado relacionado a esta cobrança de 10%. Chegou a ser identificado com o dízimo levítico! Por conseguinte, o dízimo cristão como instituição foi baseado em uma fusão da prática do velho testamento com a instituição pagã. Pelo século XVIII, o dízimo chegou a ser um requisito legal em muitas áreas da Europa Ocidental. Pelo fim do século X, a diferença do dízimo enquanto imposto de renda e mandamento moral apoiado no Antigo testamento havia desaparecido. O dízimo tornou-se obrigatório ao longo da Europa cristã. Em outras palavras, antes do século VIII, o dízimo era um ato de oferta voluntária. Mas pelo fim do século X, ele passou a ser uma exigência legal para sustentar a Igreja Estatal, exigida pelo clero e colocada em vigor pelas autoridades seculares! Felizmente, a maioria das igrejas modernas abandonou a prática do dízimo como uma exigência legal. Mas a prática de dizimar está tão viva hoje como foi durante o tempo em que era um requisito legal. Certamente você não vai ser castigado fisicamente por não dizimar. Mas se você não for dizimista, isto se aplica à maioria das igrejas modernas, você será excluído das posições importantes do ministério. E sempre será culpado e atacado de cima do púlpito! Quanto aos salários do clero, os ministros não receberam salários durante os primeiros três séculos. Mas quando Constantino entrou em cena ele instituiu a prática de pagar um salário fixo ao clero dos fundos eclesiásticos e das tesourarias municipais e imperiais. Assim, pois, nasceu o salário do clero, uma prática daninha que não tem precedente no Novo Testamento.

A grande extorsão

Desta maneira, o dízimo moderno é o equivalente a uma loteria cristã. Pague o dízimo e Deus lhe devolverá mais dinheiro depois. Recuse dar o dízimo e Deus lhe castigará. Tais pensamentos assaltam o cerne das boas novas do evangelho. Poder-se-ia dizer a mesma coisa quanto ao salário do clero. O qual tampouco tem qualquer mérito. De fato, o salário do clero corre totalmente em sentido oposto ao novo Pacto. Os anciãos (pastores) do primeiro século nunca receberam salários. Eles eram homens com profissões seculares. Eles contribuíam com o rebanho em vez de pegar dinheiro da congregação. Assalariar pastores gera uma espécie de profissional remunerado. E isso os eleva sobre o restante do povo de Deus. Isso cria uma casta clerical que converte o corpo do Cristo vivente em um negócio. Na medida em que o pastor e seus assistentes são “pagos” para ministrar, eles tornam-se profissionais remunerados. O resto da congregação passa ou cai em um estado de dependência passiva. Se todo cristão atendesse ao toque do chamado para ser um sacerdote funcional (e eles foram chamados para desempenhar esse chamado) a questão que surgiria imediatamente é: “Por quê estamos pagando nosso pastor!?” Mas na presença de um sacerdócio passivo, tais perguntas nunca surgem. Mas quando ocorre o contrário, quando a Igreja funciona como deve funcionar, o clero profissional torna-se desnecessário. De repente o pensamento que diz, “isto é trabalho do pastor” parece herético. Em termos simples, o clero profissional engendra a ilusão pacífica de que a Palavra de Deus é material classificada como perigosa, de difusão secreta e que apenas especialistas oficiais podem manejá-lo. Mas isso não é tudo. O ato de pagar um salário ao pastor obriga-o a ser complacente com os homens. Torna-o escravo dos homens. O “vale refeição” do pastor está garantido na medida em que ele se faz simpático à congregação. Assim, pois, ele nunca está à vontade para expressar-se livremente sem temer perder alguns fortes dizimistas. Esta é a praga do sistema do pastor assalariado. Um perigo adicional do sistema do pastor remunerado é que produz homens incompetentes, algo que herdamos dos pagãos gregos. Por esta razão, o homem precisa de uma tremenda coragem para sair do pastorado. Desgraçadamente, a maioria do povo de Deus é profundamente ingênua com relação ao poder opressivo do sistema clerical. É um sistema descarado que não se cansa de triturar e magoar seus jovens. Definitivamente, Deus nunca quis que existisse um clero profissional. Não há um mandato bíblico nem qualquer justificativa para tal coisa. De fato, é impossível construir uma defesa bíblica para o pastorado.

Na maioria dos casos, pede-se ao porteiro de igreja coletar dinheiro durante o culto. Tipicamente é ele quem passa a “bandeja da coleta” entre as pessoas. Esta prática de passar a bandeja é outra invenção pós-apostólica. Isto começou no ano 1662, embora a bandeja de esmola para os pobres estivesse presente anteriormente. O porteiro de igreja surgiu da reorganização da liturgia da Igreja da Inglaterra sob o reinado de Elisabeth I (1533-1603). Os porteiros de igreja tinham a responsabilidade de acompanhar e acomodar as pessoas nos bancos o cadeiras, coletar ofertas e manter a estatística dos que comungavam. O porteiro era de uma ordem menor (abaixo do clero) e remonta ao século III. Os porteiros tinham a responsabilidade de dar segurança, abrir as portas da igreja, manter a ordem dentro do edifício, e da direção geral dos diáconos. Os porteiros foram substituídos pelos “guardas da igreja” na Inglaterra antes e durante o período da Reforma. Dos guardas surgiu o porteiro de igreja.

Conclusão

Embora o dízimo seja bíblico, não é cristão. Jesus Cristo não o afirmou, pelo contrário: através do entendimento de que Jesus aboliu a lei, subtende-se de imediato que foi a lei por completo; fato que os antigos cristãos entenderam em sua plenitude. Por isso os cristãos do século I não o observaram. E por cerca de 300 anos o povo de Deus não o praticou. Dizimar não foi uma prática aceita em grande escala entre os cristãos até o século VIII! O ato da oferta no Novo testamento era segundo a capacidade de cada um e para fins específicos. Os cristãos doavam para ajudar outros tanto como para apoiar obreiros apostólicos, permitindo-lhes viajar e fundar igrejas (comunidades). Um dos testemunhos da Igreja Primitiva foi o de revelar o quão liberais eram os cristãos com relação aos pobres necessitados. Foi isto que fez com que gente de fora da igreja, inclusive o filósofo Galeno, presenciasse o poder gigantesco e encantador da Igreja Primitiva e dissesse: “Olhe como se amam uns aos outros”. O dízimo é mencionado apenas quatro vezes no Novo testamento. Mas nenhuma destas quatro ocorrências se refere á ordenanças á cristãos. Definitivamente, o dízimo pertence ao velho testamento onde um sistema de tributação foi estabelecido para apoiar aos pobres e onde havia um sacerdócio especial separado para ministrar ao Senhor. Com a vinda de Jesus Cristo, houve uma “mudança na lei”, o antigo acordo foi “cancelado” e “posto de lado” dando lugar a um novo. Agora, todos somos sacerdotes; livres. A Lei, o velho sacerdócio, o dízimo, todos foram crucificados. Agora não há cortina do templo, nem imposto do templo, e não há um sacerdócio especial que se coloca entre Deus e o homem. Você, querido cristão, foi libertado da ditadura do dízimo e da obrigação de apoiar o sistema do clero. Igreja, abarcando a massa da população do Império, desde César até o pior escravo, e vivendo no meio de todas suas instituições, recebeu em seu seio grandes depósitos de material estrangeiro de todas as partes do mundo e do mundo pagão... Assim é o dízimo.

Cabe você escolher: se quer continuar apoiando um sistema mentiroso, que manipula as escrituras para ressuscitar a antiga aliança e assim impor ao povo alienado um fardo que não lhe pertence, ou caminhar na graça, sob a tutela do Espírito Santo e de fato livre, sem nenhuma obrigação com instituições religiosas cobradoras de impostos e falsificadoras do evangelho de Jesus. Pense, estude e reflita.

Uchiha madara (f)

Um comentário:

  1. Complicado mas discordo totalmente do início da afirmação. Se a igreja é atuante, ajuda com alimento, vestes, transporte para buscar os membros menos providos, paga luz, água, aluguel em muitos casos, telefone... como se manteria entao?

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