segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Palestra com Dr. José Renato Pedroza


Fonte: Simceros.org

Rússia cooperará com escudo antimísseis, diz Otan


Resumo da notícia: A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) anunciou neste sábado que a Rússia concordou em cooperar com o sistema de defesa antimísseis da aliança.

O secretário-geral da organização, Anders Fogh Rasmussen, disse na cúpula do grupo, em Lisboa, que os dois lados concordaram em assinar um documento dizendo que não representavam mais uma ameaça um ao outro. (BBC)

Comentário: Você lembra do Plano da Ordem Mundial Illuminati? Albert Pike fez uma profetada dizendo que a Nova Ordem Mundial seria estabelecida com III Guerras mundiais, mas na ordem mundial de Baha’u’llah isso não acontece. Ele exerce a função do cavaleiro com o Arco descrito no livro de Apocalipse e desarma a guerra em troca de uma falsa paz através de acordos como esse.

“E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer.” (Apocalipse 6 : 2)

As leis espirituais de Baha’u’llah se convertem em documentos importantes como a – Carta das Nações Unidas. No preâmbulo dela, os 192 paises signatários se comprometem em não fazer a III Guerra mundial:

“CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS - Preâmbulo - NÓS, OS POVOS DAS NAÇÕES UNIDAS, RESOLVIDOS a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade…”

Fonte primária: ApocalipseTotal
Fonte secundária: Exército mundial

Tortura, verdade e democracia


Os últimos oito anos em que a coalizão de ultradireita que governou os EUA assumiu a prática da tortura como política estatal só aumentaram a importância de se dirimir alguns mitos acerca do tema. Um desses mitos é a crença – disseminada amplamente entre setores da esquerda – de que a prática da tortura seria uma espécie de negação da essência da democracia, ou que a democracia seria algo como um antídoto contra a tortura, ou que esta, no fundo, negaria os valores democráticos, de racionalidade e liberdades individuais. O fato histórico concreto, no entanto, é o oposto: no momento em que “democracia”, “verdade”, “racionalidade” estavam sendo inventadas, a prática da tortura foi componente fundamental no processo em que esses ideais se faziam. Ali, na origem mesma da democracia, a tortura já era um de seus elementos chave.

Tortura e verdade (Editora Routledge, 1991, não traduzido no Brasil) é um livro revolucionário da classicista estadunidense Page DuBois sobre a prática judicial da tortura, na Grécia Antiga, em suas relações com a produção da noção filosófica clássica de verdade, assim como na construção da oposição binária entre escravo e cidadão livre. O livro parte de uma premissa: “a assim chamada alta cultura – práticas e discursos filosóficos, forenses e civis – vai de braços dados, desde o começo, a partir da antiguidade clássica, com a inflição deliberada de sofrimento humano”. DuBois passa a mapear o processo pelo qual, na pólis ateniense, o corpo do escravo é juridicamente convertido em objeto de tortura e em canal privilegiado da verdade. Por um bom tempo nos tribunais atenienses, o homem livre não podia ser torturado, mas o escravo sim. Não só era comum torturar escravos, mas se pressupunha que o escravo produziria a verdade quando torturado.

A palavra que designa “tortura” em grego, basanos, evolui de um sentido anterior de “pedra de toque que testa o ouro” para uma acepção mais ampla de “teste que define se algo é genuíno ou real”. Com o tempo, o vocábulo teria passado a significar “interrogatório através de tortura” e o próprio ato de torturar. Numa reconstrução cuidadosa, DuBois examina os contextos em que basanos aparece na épica homérica, em poetas aristocráticos como Teógnis e Píndaro, em trágicos como Sófocles e Ésquilo, na sátira de Aristófanes, na historiografia de Heródoto, nos discursos de Demóstenes e Licurgo e nas obras filosóficas de Platão e Aristóteles. É em Sófocles (aprox. 497-406 a.C.) que DuBois observa a transição do sentido de basanos de “teste” para “tortura”. A tortura não só era amplamente praticada na democracia ateniense, mas foi um componente fundamental de como a verdade viria a ser concebida e de como a diferença entre cidadão e escravo seria estabelecida.

Na democracia grega, o testemunho jurídico do escravo era tido como verdade se, e somente se, esse testemunho fosse extraído sob tortura. Na medida em que o escravo era uma valiosa propriedade, passível de ser danificada pela tortura, era a prerrogativa de seu dono oferecê-lo para o basanos. Essa prática não podia ser aplicada a cidadãos, aos homens livres. A tortura operou, então, para fixar e controlar a própria instabilidade da dicotomia entre cidadão e escravo. O pensamento grego nunca conseguiu naturalizar a separação entre homens livres e escravos, já que os livres de hoje podem converter-se nos escravos de amanhã, por exemplo através da derrota numa guerra. Esse pensamento tentou, mas foi incapaz de fundamentar biológica ou ontologicamente o fato social da escravidão, apesar dos melhores esforços de Aristóteles, que naufragam na tentativa de explicar por que os escravos são desprovidos de razão. Se há uma diferença natural entre o cidadão e o escravo, como é possível que os livres possam se tornar escravos ao serem derrotados no campo de batalha? Como justificar ontologicamente a estrutura política que permite a sistemática imposição de dor sobre certos seres humanos e não sobre outros?

O Livro III da Política, de Aristóteles, encara essa mais inglória das tarefas, definir o que, afinal de contas, é um cidadão e o que o diferenciaria do não-cidadão: “Os residentes estrangeiros [metoikoi] (...) não participam senão imperfeitamente da cidadania, e os chamamos de cidadãos só num sentido qualificado, como poderíamos aplicar o termo a crianças que são jovens demais para estar registradas ou a idosos que foram desobrigados das funções estatais”. Metoikoi é o nominativo masculino plural derivado do verbo metoikos, que significa “mudar de residência, emigrar e estabelecer-se em outro lugar”. Quanto mais Aristóteles acredita que a expressão exata é “imaterial” e que “o que queremos dizer está claro”, mais embaçada e confusa torna-se a fronteira. Quando Aristóteles termina de excluir as mulheres, as crianças, os escravos, os idosos, os residentes estrangeiros e outros não-cidadãos, resta-nos uma categoria à beira do desmoronamento. Não se trata de que pouco a pouco, depois de eliminar todos, não permaneça ninguém. Alguém sempre se qualificará como “cidadão”: o domínio dos homens adultos nascidos em Atenas, falantes de grego e donos de propriedades mostra que a ontologia pode estar capenga, mas isso não a impede de operar politicamente para favorecer os mais poderosos.

O que Aristóteles chama de “cidadão” é aquele lugar virtualmente vazio que sobra uma vez que eliminemos todos os não-cidadãos. O horror da não-cidadania é também um vazio voluptuoso que ameaça tragar todos os cidadãos, porque eles poderão ficar velhos, perder suas propriedades, ser exilados ou conhecer a derrota na guerra. Como diferenciar o cidadão do não-cidadão se o destino daqueles é juntar-se a estes quando fiquem velhos, se exilem ou percam uma guerra?

A prática da tortura na democracia grega cumpriu um papel na estabilização dessas fronteiras meio impossíveis de estabilizar, entre cidadão e não-cidadão e entre homem livre e escravo. O escravo é aquele que pode ser torturado. E por que ele é torturado? Porque da tortura [basanos], emerge a verdade [aletheia]. Ali, ao lado dos tribunais onde se torturavam os escravos, a filosofia ocidental inventava o conceito de verdade, a prática política inventava a democracia e a jurisprudência inventava o que se entenderia por justiça. Que fique estabelecido, pois, que nenhuma dessas disciplinas tem as mãos completamente limpas se formos relatar em detalhe a história da tortura no Ocidente: a própria invenção dos seus conceitos chave é parte da institucionalização da tortura na pólis grega.

A hipótese de DuBois é que o estabelecimento do corpo do escravo como corpo que pode ser torturado (e que será necessariamente verdadeiro quando submetido à tortura) foi chave na constituição mesma do conceito de aletheia, de “verdade”, para os gregos. Se recordamos A verdade e as formas jurídicas (pdf), texto de Michel Foucault apresentado pela primeira vez no Rio de Janeiro em 1973, duas concepções de verdade entraram em choque no pensamento grego. Por um lado, há a compreensão mais antiga da verdade como produto de uma luta, uma batalha, uma prova através da qual algo emerge: concepção épica. Por outro lado, há a concepção da verdade como essência enterrada e escondida, esperando para ser desvelada e trazida à luz, extraída de uma interioridade desconhecida que o conhecimento tentaria penetrar: concepção mais propriamente filosófica. Esta é a ideia sexualizada, bem masculina de verdade, que prevaleceria em última instância. Esse processo de extração da verdade mantém uma dívida com a tortura exercida sobre o corpo do escravo, já que é a sanção jurídica da tortura que confere à filosofia a metáfora que organiza o seu conceito central, a verdade.

O basanos dissolve a resistência, traz à luz, arrasta rumo à visibilidade. A metáfora que descreve a tortura replica o movimento do filósofo que arranca a verdade de sua condição velada. É n' O Sofista, de Platão, que melhor se deixa ver o laço entre, por um lado, a extorsão através da qual o filósofo traz à luz a verdade, arrancando-a do sofista, que permanece cego, inconsciente e, por outro lado, o processo característico da produção jurídica da verdade através do corpo do escravo: “A melhor maneira de obter a confissão da verdade seria submeter o próprio enunciado a um leve grau de tortura [basanistheis]”, diz Platão. Há uma analogia entre o suplício sofrido pelo escravo no tribunal e aquele imposto ao sofista. Como o escravo, o sofista somente revela a verdade sob violento interrogatório e pressão. As odiosas narrativas hipotéticas com que a administração Bush e seus lacaios na mídia racionalizavam a tortura – “imagine um terrorista com informação sobre a explosão de uma bomba nuclear, etc.”: o cúmulo da ficção – não deixam de ter, é importante sublinhar, seus antecessores mais “nobres”, nas origens mesmas da democracia e filosofia ocidentais.

É possível mapear, no pensamento grego, uma concepção antidemocrática de verdade entendida como algo que se arranca do corpo do outro. O processo descrito por Platão evoca diretamente o basanos em seu contexto legal. A metáfora platônica transforma o sofista num corpo que deve submeter-se a um sofrimento, um suplício imposto pelo logos. A lógica e a dialética são artes da tortura, nela estão implicadas e assim foram teorizadas, no momento mesmo de sua constituição e sistematização, no texto platônico. A caça ao sofista inaugura uma longa tradição de metaforização da verdade como encarceramento na filosofia ocidental, tropo que retornaria, por exemplo, na luta épica de Descartes para impor uma derrota humilhante à dúvida.

A violência através da qual emerge o conceito de verdade na Grécia traz marcas das hierarquias de gênero. O pensamento grego estabeleceu extensos vínculos entre a verdade e o escondido, o segredo, a potencialidade feminina, a interioridade tentadora encerrada no corpo humano. A mulher e o escravo são receptáculos da verdade que não têm, eles mesmos, acesso a ela como sujeitos. Sua função é fornecer o acesso ao homem livre, ao cidadão. A confecção do conceito de verdade foi contemporânea da sexualização das metáforas baseadas no ato de arrancar à luz algo dormente numa interioridade. A extração da verdade seria, então, um tropo sexualizado por excelência, que funda a compreensão que tem o Ocidente da diferença sexual. Os pólos masculino e feminino vêm a ser dialeticamente constituídos num processo violento e assimétrico, no qual o feminino é o espaço circunscrito como interioridade e penetrado pelo masculino. A tarefa viril do filósofo seria extrair a verdade de um receptáculo e trazê-la à luz num processo de extração – e assim, claramente, teoriza-a Platão, n’O Sofista.

A tortura não é, portanto, antagônica à verdade ou antídoto da democracia. Não é de uma esfera alheia ao direito. A tortura nunca foi escandalosa em democracia nenhuma (algumas delas simplesmente exportaram, “terceirizaram” sua prática para outras comarcas). A sanção jurídica da tortura no mundo ocidental nasce não só contemporaneamente a, mas também em relação de sustentação mútua com o albor de todas essas noções: verdade, democracia, justiça, direito.

A diferença entre uma visão materialista histórica e uma visão liberal da atrocidade e da tortura se remete, em grande parte, a um abismo: o liberalismo é incapaz de compreender essa história – as origens comuns da tortura e da democracia, da tortura e do direito, da tortura e da verdade –, pois afinal de contas ele próprio, liberalismo, não passa de um capítulo dessa mesma história. O materialista histórico, comprometido com o legado dos vencidos, não pode se dar ao luxo de ignorar que o estado de emergência que vivemos com os torturadores de Bush e Olmert não tem sido a exceção, mas a regra.

Ilustração: "Tortura com água". Xilogravura. Praxis Rerum Criminalium (1556), de Joost de Damhoudere.

Fonte: O biscoito fino e a massa

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Os chefões do tráfico


Há uma semelhança muito notória entre as duas melhores classes de traficantes de drogas que podemos observar nas sociedades, as duas lucram absurdamente com o comércio de drogas. Enquanto a primeira envenena a biologia, a segunda trata de intoxicar e entorpecer toda uma geração com idéias sujas e atraentes.

É sabido os danos que o crack causa ao cérebro humano, pois assim mesmo, outra semelhança salta aos olhos: o crack do evangélico é a teologia da prosperidade, ás vezes disfarçada com outros rótulos; “vitória”, “sucesso”, “triunfalismo”, “conquista”, “vida vitoriosa”, etc. Essa droga corrói completamente todos os alicerces outrora erguidos, e isso só podemos nos referir quando há alicerces erguidos, pois quando estes são erguidos sobre a própria degeneração causada pela droga em questão, pode-se dizer que, praticamente é um caso perdido: mais um ateu religioso foi criado, mais uma alma perdida. Todo esse enorme sistema de tráfico de drogas á que me refiro, rende á seus donos milhões em lucro por meio de sua indústria, porém o mais precioso lucro provém das divisas intelectuais, da grande massa que não possui formação política nem ideológica/teológica alguma, e é dessa forma manipulada para os fins desejados de seus senhores. É impressionante como a história retorna de forma bastante semelhante como se deu no passado: o colono e o senhor de engenho, o escravo e o senhor, referindo-se á divisão política propriamente dita de negros escravizados e tratados como mercadoria por seus senhores, é o que aí está para todos verem, porém que não nos enganemos: não estamos no século XVIII, e sim no XXI!

O conhecido pastor, Silas Malafaia é um exemplo clássico (claro que não só ele, mas é ums dos principais e com mais poder de influência), além de um falso profeta que ganha cada vez mais rejeição no meio evangélico braisleiro é um formidável comediante! Quanto nos faz rir com suas tentativas de não ser pego, com suas heresias "simpáticas"; nós os que nascemos de novo, precisamos por vezes desses momentos de descontração para aliviar o estresse das provações, desses espíritos diminutos pensando ser especiais; espantalhos que serão removidos com um único sopro; até mesmo porque, o que seria de nós se não houvessem tais tipos inferiores para nos compararmos e assim Deus nos conceder a honra de nos considerar-mos, com todo orgulho os mais nobres dentre os perseguidos, os subversivos e “heréticos”; nos espelhamos em Jesus: o herético do Judaísmo. Judaísmo este que Silas ama, do qual ele mesmo, junto com seus colegas também, é um espião entre os cristãos; visando restabelecer aos poucos por meio do costume, o sacerdócio levítico por inteiro. Isto não se dá explicitamente, mas em oculto, assim a sua sociedade de amigos age. Com suas ações e convicções é que percebemos isto, não com suas palavras, pois as mesmas dão testemunho belo e sedutor do extremo contrário; que é ele um radical defensor do ministério do Espírito, de que sepultou a lei e vive única e exclusivamente sob o novo caminho criado pela cruz de Cristo: aparência de verdade! Vestimentas de ovelha, exterioridades que não subsistem ao poder de nossos olhos, com uma primeira análise as máscaras caem e logo se vê os dentes caninos de um lobo devorador.
Malafaia é hoje a encarnação da disposição mental e ideológica de que necessitará o seu verdadeiro messias para reinar na tão aguardada nova ordem mundial. Toda a forma de existir como Igreja defendida por este indivíduo é a mais adequada para o tipo de governo vindouro á que me refiro. Ele é um mero serviçal desse quadro, quando a mega república de gadu for instaurada ele se regozijará em oculto e beberá do vinho que lhe é dado á beber, o que são hoje as palavras que lhes são concedidas á serem faladas. Eis a configuração ideal para esta adequação (a ideologia difundida para controle internalizado dos crentes):

a) A demência da ovelha cega, surda e muda; expressando a total aniquilação da soberania individual; submissão á todo custo á autoridade eclesiástica. Fabricação do zumbi espiritual literalmente; finalidade: fabricação de um exército controlado que lute por seus donos. Essa finalidade foi aprimorada com a criação de sua própria escola de doutrinação chamada de Eslavec.

b) Culto ao sacerdote; divinização do sacerdote; finalidade: instalar a ditadura do discurso único; concentração da autoridade argumentativa. Os sacerdotes guiados por sua escala de valores dirão o que pode ser seguido e o que não pode.

c) Culto á instituição; finalidade: a instituição, com suas gincanas esotéricas, suas atividades de recreação espiritual, funciona como um cercamento; um pequeno campo de concentração onde o tipo desejado é fabricado como por experiência genética. È preciso portanto que á glorifique, á coloque em alto patamar de importância para que não venha á ruir.

Para mim nada acrescenta estes que se dizem pastores de multidões: são sempre pouco instruídos, com pouca cultura intelectual para tanta soberba, mas um caso muito típico; o uso do instrumento de defesa dos fracos é o grito, a voz alta, a exaltação que intimida os outros que não conhecem seus truques e ilusões de encantador de cérebros vazios. A minha admoestação para esses espíritos pálidos e sem sal são as palavras de Pedro, vamos ouvi-las?: “E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro, Dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo. Mas disse-lhe Pedro: "O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro. Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua iniqüidade, e ora a Deus, para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração; Pois vejo que estás em fel de amargura, e em laço de iniqüidade“ 1.

A ética do evangelho não nos permite a aniquilação de tais indivíduos, devemos ter misericórdia de tais pessoas; precisamos pregar o evangelho para que esse Silas malafaia se regenere, mas me pergunto se isso ainda é verdadeiramente possível, pois a mente cauterizada de um "profeta velho" 2 jamais admiti mudança de sua parte, é irredutível, ela torna-se a mais pura manifestação do tipo sacerdotal; megalomaníaco; o centro de todas as coisas, de todo o universo, requer para si as atenções em totalidade.

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1 Atos 8; 18-23.
2 Referência ao epelido de Silas recebido Por Edir macedo.

Madara.

A obscenidade do religioso


Fico á observar nos dias de hoje uma juventude que inunda estas igrejas evangélicas que vemos em cada esquina; todos amantes fervorosos da religião, de fato discípulos herdeiros de saduceus e fariseus... Desta forma, buscam se enquadrar desesperadamente em um modelo estético que lhes dê a dignidade de “serem feitos filhos de Deus”; o tão conhecido terno, gravata e palitó. Entende-se imediatamente, ao olhar para os semblantes ora orgulhosos, ora oprimidos desses espectros andantes, a representação de uma psicologia da fraqueza internalizada como tentativa de engrandecimento frente ao estado natural, que obviamente não é grande nem superior, é pequeno, sem sal, sem vida, sem radiação luminosa própria, ou seja: age assim o instinto de coesão social que trabalha sempre tendo como base o status nobre, e que exerce no indivíduo por meio de uma dissimulação do intelecto, a tentativa de esconder seu estado deprimente, sua medianidade existencial, de transparecer por meio estético aquilo que ele mesmo gostaria de ser em sua forma completa, “na essência”, na interioridade mais escondida e que traz á tona á consciência, nos momentos de silêncio e reflexão o quanto o próprio ser se camufla por dentro do estigma religioso para alcançar o patamar que com suas mãos não poderiam jamais apalpar, em outras palavras; a força, a energia, a auto afirmação, a certeza nos ideais, o conhecimento de si: a vontade de ser algo de valor. Tudo não passa de castidade, castidade da juventude, do corpo, castidade principalmente da própria humanidade de si mesmo e castidade antes de tudo da mente. Também perversão do conceito de vida evangélica; uma retirada do plano da intimidade do que realmente se baseiam as doutrinas de Jesus para um plano estético, visível, que se realize em fenômeno, ou melhor; o antigo vício que permeia a fraqueza de espírito na tentativa de sempre materializar o imaterial: a fé. Ás vezes por meio de imagens, como fazem os católicos, outras por meio de um estilo visível e aparente de vestimentas que os classifiquem publicamente como um crente; ao contrário do que Jesus ensinou em seus discursos: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13; 35). Por isso a obscena necessidade dos ateus inseguros em se identificarem esteticamente, e nele se segurarem e fundamentarem a primazia da sua fé: a vida religiosa altamente valorizada ante á vida radical que a ética do messias trouxe ao mundo, eis a visível inimizade. Mas á isto, eles mesmos não lhe nomeiam honestamente de escravidão, ou perversidade, mas de santidade, de coisa boa e aceitável diante de Deus! E é justamente contra isso que lutamos, contra essa religiosidade mascarada de coisa boa e saudável. Não lhes é visível que essa “santidade” envenena a vida, faz dela coisa impura, cheia de armadilhas pra todos os lados, uma vida histérica e militarizada. Decretemos de uma vez por todas a morte dessa “santidade”, visto que sua falência é o que mais provoca ódio e temor á esses neofariseus. Portanto, se para eles é temido, é porque o que aparece do outro lado não é nada mais que o seu inverso do mesmo pólo, algo que com caráter de urgência negue todas essas flagelações da alma e caminhe seguramente sob os trilhos de uma vida cheia de oxigênio e confiança. Para mim estes fantasmas não são mais do que já disse: obscenos, indecentes e velhacos.

Madara.