terça-feira, 29 de março de 2011

Carnaval, funk e a erotização

O carnaval já passou, porém seus efeitos bem como sua enorme influência permanece na raiz da sociedade brasileira. Uma sociedade puramente sensual por natureza.


Esse post, esclareço desde o começo não tem por intuito despertar a fúria moralista que há dentro de você, e isto necessariamente porque este que voz escreve não é nem de longe um moralista médio/burguês e religiosamente camuflado. Por este mesmo motivo resolvi colocar fotos que estão disponíveis na internet para que você esteja em contato com a realidade nua dos fatos. Porém meu objetivo principal aqui é despertar em você a consciência do labirinto em que todos nós estamos enfiados, uma relação mista e por demais confusa entre o “eu” e o “todo”, o indivíduo e a sociedade, no tocante a sexualização progressiva e de sua legalização na cultura popular.


Já há algum tempo que venho pesquisando sobre estes três temas citados no título da postagem, tanto pela internet quanto em livros. Entretanto a maior fonte, considero eu para que eu pudesse ter “bagagem” à falar desses temas, foi de fato o cotidiano, ao conversar com pessoas próximas, ao conversar com amigos adolescentes, etc. Percebi com o tempo que todos eles, em alguma proporção vêem ou já viram conteúdos pornográficos na internet, e até mesmo de pedofilia por compartilhadores de arquivos. Porém o que me chama atenção como pesquisador e futuro filósofo não é ausência de proibições existente de maneira formal, pois isto de nada adianta, o que penso é sobre a enorme facilidade que uma criança ou adolescente tem para conseguir material pornográfico de sexo explícito neste Brasil que dizem ser o país do futuro. Ou seja; meu objeto de estudo não é o sistema jurídico, com suas leis ridículas fabricadas fora do contexto social residente, mas sim o próprio funcionamento da cultura popular que não só possui um caráter intrinsecamente sensual como ativamente estimula a erotização do indivíduo; não importando a idade deste. A cultura popular aparentemente rejeita a erotização e os abusos sexuais, porém ela mesma compartilha destes valores em sua estrutura.


A LEGITIMIDADE DA NUDEZ

Impressionante ver como funciona uma cultura, e como ela gera caracteres diversos para um mesmo assunto, quer para torná-lo legítimo quer ara torná-lo “ilegal”. Temos 365 dias do ano crianças, jovens, adolescentes e adultos sendo condicionados sexualmente à despertarem seu libido sexual de maneira inconsciente e sem controle algum. Porém cenas e imagens altamente sexuais, de pessoas completamente nuas ou simulando relações sexuais explícitas que em quaisquer outra semana do ano provocariam incômodo e protesto dos moralistas de plantão, naqueles cinco dias mágicos e “especiais” são absolvidos e considerados por todos como padrão de consumo, irrelevantes, normais, costumeiros; expressões máximas da afirmação cultural deste país de merda; colônia da banqueiros e de hipócritas.

Milhares de crianças foram e são pornificadas neste carnaval, pois muitas que estavam na frente da televisão viram estas cenas:


Esta última é por demais enfática para a nossa análise; pois poderemos falar o que quiser, mas nunca os carnavalescos admitiriam que esta mulher está completamente nua, o você sabe o porque? Porque ela está usando um tapa-sexo de apenas

4 cm! Por isso ela não está nua. Cenas como estas seriam certamente reprovadas se não estivessem sendo produzidas no carnaval, o que me leva seriamente à crer que há no imaginário brasileiro um data que lhes servem de filtro, uma completa “remissão de pecados”, pois tudo o que em qualquer outro período do ano seria atentado violente ao puder nele se converte em manifestação cultural. Estupros acontecem aos montes durante o carnaval, mas não são vistos como estupros, (tanto para os estupradores quanto para os estuprados) e sim como orgias naturais de um período aonde todos soltam a franga. Sexo com meninos e meninas já sexualizadas seria pedofilia na certa em qualquer outro período do ano, mas no carnaval... A magia do momento, da data, entra na mentalidade comum e estabelece na faculdade de juízo o critério da excepcionalidade, do período de tempo aonde se pode realizar tais atos sem que eles sejam encarados como crime ou imoralidade. Em muitas vezes, o próprio estuprado já internalizou esta noção de excepcionalidade, e com isso não apresentará “traumas” devido que em sua consciência a sua experiência sexual fora classificada como legítima, ou natural, ecoando aquela voz que diz: “Ah, é carnaval!”.


PORNIFICADOS

Em bancas de jornais, revistas com mulheres semi-nuas em poses sugestivas ao ato de penetração estão expostas de forma extremamente livre, para todos verem. No Rio de janeiro, na calçada em frente à um supermercado conhecido uma grade de arame é utilizada para se vender DVDs piratas, sendo que 90% deles são pornográficos. Ali, todos os dias centenas de crianças e pré-adolescentes passam diariamente e visualizam as fotografias que mostram sexo oral explícito, com ejaculação na boca e até mesmo o órgão sexual masculino sendo penetrado em vaginas etc. Em muitíssimas oportunidades observei o comportamento de todos os agentes sociais ali envolvidos: o vendedor de dvds, as crianças e os pais segurando a mão das crianças. O vendedor na maioria das vezes nem mesmo se dava conta de que todos que passavam ali esticavam o pescoço para olhar as fotografias, pois sempre apresentava um semblante despreocupado fumando seu cigarro. As crianças e pré-adolescente sempre olhavam, com os olhos arregalados com curiosidade para as fotografias de dvds mostrando penetrações e oralidades diversas, tendo talvez suas primeiras percepções do que é este mundo, não apresentado ainda à eles de maneira oficial. Os pais por sua vez, diferentemente do que se podia esperar, sempre que observei nada faziam para que seus filhos visualizassem as imagens; para mim, demonstrando uma mudança de comportamento do que antigamente se ocorria, quando as famílias eram mais conservadoras e os pais “brigavam” com os filhos quando os viam assistindo conteúdo erótico de uma revista Playboy, por exemplo. Porém desta vez todos os pais estavam desatentos demais para impedir que seus pequenos vissem cenas como aquelas; seus olhos não podiam pestanejar para fora da grade de dvds!


Pude contemplar este mesmo ocorrido por inúmeras vezes, em todas oportunidades que fui neste mesmo mercado. Porém, não somente nesse mercado, cenas como estas também se repetem todos os dias em muitos outros cantos da cidade, em calçadas que vendam dvds piratas.


A LEGITIMIDADE DA EROTIZAÇÃO INFANTIL

Em um carnaval passado, que não me recordo muito bem, uma certa “polêmica” invadiu a avenida do samba carioca. Uma menina de apenas 8 anos seria a atração (sexual) do desfile de uma grande escola de samba. Suas vestes eram, como se podia esperar minúsculas, não chegando à transparecer nudez, porém não é necessariamente a pouca roupa que ali estava em jogo, mas sim a exposição que aquela menina sofria diariamente de um ambiente de estimulação sexual. Ela era mais nova geração sambistas de uma família tradicional naquele meio, aonde os avós e pais se exultavam em ver a pequena desfilar e se mostrar para o publico.


Penso com extrema sinceridade com qual idade aquela menina perderia a sua virgindade, se é que na época já não havia perdido, pois com toda certeza jamais seria depois dos 18 anos. Certamente por estar inserida naquele dado ambiente, e ter em seu consciente todo o mundo do sexo e da sensualidade visto com a maior naturalidade, ainda que precocemente, sua desenvoltura e desenvolvimento numa vida sexualmente ativa se daria entre seus 10 e 12 anos, como oficialmente é divulgado em pesquisas sobre atividade sexual no Brasil, inclusive pelo IBGE. Para o Estado fascista brasileiro isso é de se comemorar, contanto que seja com camisinha... Não tem problema.


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Ministério da saúde adverte: faça o que quiser, mas faça com camisinha.


A “CULTURA DO POBRE” E A PORNIFICAÇÃO

Eu já morei em uma comunidade carente no Rio de janeiro, hoje não mais. Porém sempre estou lá, visitando e revendo amigos. Sei de perto que a cultura popular que se estabeleceu no Brasil em especial nas suas periferias ou favelas é puramente sexual em seu nível mais descarado. Bailes funk são na realidade festas aonde o ambiente sexual é dominante, algo que se demonstra desde as letras das músicas tocadas, as danças com explícitas conotações sexuais, as roupas das meninas com decotes e sempre muito curtas, até “pegação” que rola nos recintos. E isto sei porque já presenciei o ambiente. Lá se vê adultos, adolescentes e crianças, todos vestidos “à caráter”. Claro que não me refiro ao funk de classe média criado pela burguesia ascendente, que na verdade é uma mera invenção dos playboys da zona sul para fazerem suas orgias particulares e que possuem programas de televisão, mas me refiro ao verdadeiro funk, aquele que surgiu primeiro e que de fato “é da comunidade”, porém popularmente marginalizado pelo nome de “proibidão”. O que sempre notifico em minhas análises e colocações é justamente a criação de um ambiente que gere no indivíduo toda sorte de sentimentos e desejos, um ambiente que faça nascer nele a propensão de desejar coisas, atos, relacionamentos... Como dizia Durkheim; a desiderabilidade, que em sua essência é puramente social.

Vejamos algumas fotos conseguidas na internet sobre um baile popular:

Me ponho à pensar sobre a cabeça destas crianças e pré-adolescentes que se vê nestas cenas, incitadas e excitadas por quem se mostra no palco à elas. Meninos com idades certamente menores que 10 anos visualizando vaginas estampadas com caráter legitimado. Porém veja na foto 1 os rostos das senhoras possivelmente mães, elas simplesmente acham graça, não vêem nenhum mal em seus filhos, netos e sobrinhos verem mulheres de pernas abertas em posições sexuais à menos de 2 metros de distância. Tenho certeza que todas essas crianças em algum momento de suas vidas serão apresentadas ao mundo do sexo, porém reflito se este “empurrãozinho” dado pela cultura nacional ajuda ou atrapalha no desenvolvimento de uma sexualidade sadia. Minha conclusão é óbvia: não. Resultado: fragilidade dos relacionamentos, adultos frustrados, com relacionamentos vazios, viciados na satisfação carnal e sem nenhum compromisso, quase nunca experimentando amor de fato.


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E você acha que isso tudo é algo exclusivo do Brasil?

(Festival of the Steel Phallus 2010, Japão)


A ESQUIZOFRENIA DO SISTEMA JURÍDICO

Com tudo isso em voga na cultura popular, os “defensores da sociedade” se dão à criar leis para “coibir” a erotização precoce e tentar moralizar a sociedade. Tentativas estas que somente esquizofrenizam mais a mentalidade das pessoas e cria um sistema de vigilância “Big brother”, que mina toda a liberdade de ir e vir e que somente possui satisfação com a punição; punir, punir e punir mais ainda; este é o slogan de um sistema legislativo anti-social, que não existe para e em favor da salubridade de seus cidadãos, mas que vive e se alimenta de ressentimento e se consome em ódio e voraz satisfação de punir sem limites. Todas proibições do mundo não são necessárias e nunca serão pois a verdadeira doença está no coração do homem. Está na sua consciência. É preciso que o sistema legislativo se humanize, pois parece que cada vez mais está dominado por reptilianos; são répteis que fazem as leis para os humanos seguirem!


Talvez você tenha lido tudo o que escrevi até aqui e tenha pensado que o que estou pedindo são leis mais duras, que “os nossos deputados de Brasília se mobilizem e nos defendam”... Erro! Esta é exatamente a reação que agrava mais ainda a questão, pois desde o começo disse que não estou à discutir o sistema jurídico, mas a cultura popular vigente é descaradamente hipócrita e doente. Que cria seus próprios problemas, os esconde, os demonizam ao mesmo tempo que os conserva e promovem a sua procriação.


Não adianta proibir e punir, se crianças e adultos sempre estarão fazendo sexo, se prostituindo, contraindo doenças, pois a prostituição e a erotização precoce estão antes de tudo na mente e no coração da cultura nacional, que é por sua vez esquizofrênica: ao mesmo tempo em que condena a pedofilia, por exemplo, à incentiva através de suas festas, novelas, revistas, filmes e músicas. Paulo estava certo: Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne. (Colossensses 2; 21-23).


A mesma mãe que sente ódio de um estuprador, e pede carnificina sobre os tais; é a mesma que veste sua filha de 9 anos com vestidos curtos e à põe para dançar funk, rebolando na frente de adultos em muitas ruas de comunidades de Rio de janeiro. A mesma adolescente que vê na televisão um caso de pedofilia e grita pedindo para que cortem a cabeça do pedófilo, é a mesma adolescente que namora um homem 10 anos mais velho que ela, tendo ela apenas 15 anos; e com ele transa toda semana, em todas as posições possíveis e que com ele já fez todo tipo de sexo; anal, oral... E que ainda diz para todo mundo que preferi caras mais velhos! Quem nunca passou na frente de um Bar, aonde estão vários homens adultos tomando sua “cervejinha”, e quando passa uma jovem menina atraente todos viram a cabeça para “degustar” com os olhos os contornos daquele corpinho feminino em crescimento; porém estes mesmos homens adultos sãos os primeiros à xingarem e pedirem pena de morte à pedófilos.


A sociedade brasileira é nojenta e hipócrita, religiosamente hipócrita e nojenta. Só existem duas formas de libertação para este tipo de sociedade: joga-se uma bomba nuclear e genocida todo mundo, e depois diz que foi um acidente, para poder começar tudo do zero. Ou se refugia na simplicidade e honestidade contida no evangelho de Cristo, aonde todas as questões são tratadas de forma límpida e transparente, expondo as verdades ocultas e pondo o dedo na ferida; sem medo de sentir dor.


“Jesus lhe respondeu: Eu falei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde os judeus sempre se ajuntam, e nada disse em oculto”. (João 18:20)


Ferdnand.