Por Luiz F. Galeno


Após ler algumas páginas do evangelho de Mateus, Lucas e de João, notamos o quanto no mínimo é estranho o desejo do cristão de ser respeitado por sua opção religiosa. O desejo de ser amado pelo mundo penetrou no coração do discípulo de Jesus de tal forma que ele não mais se lembra do conteúdo original da mensagem de seu Senhor. O escândalo e a loucura contidos na Boa Nova de Yeshua são hoje odiados, repudiados e colocados em público como objetos do ridículo, como expressões de um cristão primitivo; pois ser “moderno” e “evoluído” é ser político, é falar de política, fazer de Jesus um garoto propagando do governo, um ícone de Estado que trabalha para a conservação da sociedade e para a produção do cidadão perfeito.
De onde procede tal consciência? Qual a fonte desta mentalidade? Qual a origem desse imperceptível desânimo com o espírito e apego com o mundo? Devemos reconhecer que isto nada mais é que o materialismo existencial em sua essência, expressado pela religião. Contudo, mais rapidamente nos cabe a obrigação de oferecer algumas demonstrações desta profunda desconexão com o evangelho, desta doença na alma do discípulo de Jesus, a religião do ressentimento: a decadência do evangelho.

5 provas de que a religião cristã é a decadência do evangelho


1º) Querem ser respeitados, reconhecidos e amados pelo mundo

O cristão material quer ser reconhecimento, ele pede licença para existir, está apegado às estruturas de poder da Terra e às enxerga como parte de si. O cristão material imagina a sua existência como o resultado direto da política e da lei, e criou na sua mente a imagem de um Jesus que possui alianças com os políticos romanos, um Jesus que exerce seu ministério na intenção de melhorar a sociedade; um Jesus que tem como finalidade a preservação da civilização, um Jesus do império, um servo dos governos da Terra.
Já o discípulo de Jesus age e pensa a realidade como o mestre; torna-se indiferente à resposta exterior do mundo. Se enxerga como alguém afastado das estruturas de poder que regem o planeta Terra, ele sabe que a sua existência precede a lei, o governo e a política. Há ainda um forte elogio à perseguição; uma apologia ao sentimento de alegria devido à perseguição decorrente do seu modo de vida. (“Bem aventurados sois vós injuriarem e vos perseguirem, e mentindo disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos! porque será grande a vossa recompensa nos céus” – MATEUS 5: 11,12), (“Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” – João 17: 14).
Os cristãos como Marisa Lobo que querem ser respeitados, deveriam tomar vergonha na cara e admitir seu desligamento com evangelho, pois tornaram-se propriedades do mundo, do governo e do Estado, de acordo com Jesus:
(João 15:19) -  “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia“. Jesus está dizendo que quando nos tornamos parte do mundo o mundo começa à nos amar, à nos querer bem pois somos dele. E ao contrário, quando o mundo (o governo, o Estado e a sociedade) nos odeia, é porque testificamos que não somos dele, estamos nele porém não somos parte dele.
O discípulo de Jesus não busca ser amado, pois busca apenas amar. Também não pede autorização para acreditar no que acredita, para ser o que é e falar o que pensa; ou seja; ele não precisa de liberdade de expressão, ele é indiferente à isto.

(João 17:16) – “Eles (os discípulos) não são do mundo, como eu do mundo não sou

 (João 17:9) – “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus

2º) Para serem respeitados, querem eleger um governante ideal para os cristãos

A psicóloga Marisa Lobo entrega o ouro e expõe em seu Twiter os sintomas da doença que é o cristianismo (Veja a terceira mensagem de cima para baixo):
Essa postura é decorrente do fato do cristão material pôr o seu coração na política, esperar sua salvação ou bem aventurança pelas mãos do presidente. Já que ele quer ser respeitado na Terra, então cabe buscar a eleição de um político que garanta isto à ele. Daí nasce toda a militância política em torno do apoio que os sacerdotes dão à campanha de candidatos à prefeito, governador e deputados estaduais e federais.
Como sublinhado em azul, Marisa Lobo diz:

vamos de Serra porque Haddad já declarou que não gosta de evangélico“.  Marisa Lobo também expressa objetivamente o seu desejo: “Não pensem que se Serra ganhar as eleições em São Paulo vai ser muito diferente, porém não podemos negar que pelo menos seremos respeitados“.


Já os discípulos de Jesus agem como Jesus; são alheios ao governante que está no poder, pois este assunto não lhe interessa e não lhe afeta a fé; seja quem for que esteja no poder, ele (o discípulo) será o que sempre foi, pregará o que sempre pregou e será uma testemunha viva daquilo que acredita indiferentemente do governante apoiar ou não, gostar ou não, permitir ou não. (“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” – João 18:36). Eles não dependem do governo serem o que são.

3º) Promovem e apóiam a violência

Em todas as épocas após o imperador Constantino ter se apoderado da mente e dos corações dos cristãos, o cristianismo (produto da perseguição e tentativa de extermínio do evangelho conflituoso existente até o século II) tornou-se uma máquina maligna de ódio que se alimenta de morte. Os cristãos católicos romanos sempre foram mais honestos, pois sempre tiveram em poder de determinados Estados e assim com seus exércitos próprios realizavam as guerras. Todavia, os cristãos católicos reformados (protestantes) na maior parte das vezes se infiltraram nos governos para se usar da máquina de guerra Estatal e assim promover violência. Os protestantes em muitos casos gostariam de ter seus próprios exércitos, porém preferem manipular a polícia e o exército do governo onde residem para realizarem as guerras e matanças em quem lhes faz oposição. Devo lembrar de uma frase de Lutero que exemplifica bem a psicopatia cristã protestante:
Qualquer um que enforque um rebelde faz boa obra… O rebelde (católico, anabatista e outros que se recusavam a seguir Lutero e os príncipes que o apoiavam) é bandido de Deus e do Império. Qualquer um que o enforque faz boa obra e qualquer um é seu juiz e carrasco… Esmagai, degolai e trespassai de todo modo! Matar um revoltoso é abater um cão danado. Cobertos pelo Evangelho e chamando uns aos outros de ‘irmãos em Jesus Cristo’, os camponeses cometem o mais horrível dos crimes: acompanham Satanás, sob o disfarce da Palavra de Deus (…) Tomba pela causa de Deus, como verdadeiro mártir, quem sucumbe defendendo a autoridade; assim obedeceu à Palavra de Deus. Ao contrário, quem tomba nas hostes dos camponeses é condenado às chamas eternas do Inferno, pois sustenta a espada contra a Palavra de Deus e como agente do Diabo. (…) Vamos, caros senhores! Batei, trespassai e degolai como podeis!
Em 1525, Lutero publicou um escrito chamado: “Contra as Hordas dos Camponeses Assassinos e Saqueadores“, em que defende para os príncipes o extermínio dos camponeses alemães. Com efeito, milhares de católicos e anabatistas foram massacrados, de forma direta (sem tribunal, sem julgamento, sem apelação), com o apoio de Lutero, na denominada “Guerra dos Camponeses” (1524-1525), em vista de suas posições político-religiosas contrárias às dos príncipes luteranos.

4º) Acreditam no governo divino, no governante semi-deus (autoridade constituída por Deus)

O conceito do governante com o poder divino de governar é a mais antiga das tradições da Terra; crer que o rei (ou presidente) tem a concessão divina para reinar sobre os homens está no coração do cristão material devido a herança judaica que ele carrega; para compreender isto é necessário estudar o conceito de Teocracia contido no judaísmo, não só no Tanak (antigo testamento) mas também no Talmud (conjunto de escritos doutrinais da tradição oral judaica). É o mesmo conceito encontrado no capítulo 13 da carta de Paulo aos romanos, pois Paulo deu prosseguimento à esta crença que lhe foi transmitida pela rígida educação farisaica da escola de Gamaliel. Todavia, essa idéia se encontra completamente ausente nos ensinamentos de Jesus de Nazaré. A postura de Jesus é de indiferença ao governante, nunca de apoio tão pouco de rebeldia em se colocar contra e desejar a sua destruição. Jesus não era contra nem à favor do governante político, pois sua missão nada tinha à ver com a estrutura política da Terra, mas com o Reinado de Deus no coração do indivíduo, as coisas do espírito e não as coisas da matéria.
Deixe de lado as fábulas e mentiras que os pastores te contam e busque o conhecimento. Não se pode servir à dois senhores, ou um ou outro; ou Cristo ou o cristianismo. Um anula o outro, e você terá de fazer a sua escolha mais cedo ou mais tarde. Eu já fiz a minha…